sábado, 23 de janeiro de 2010

Feliz Aniversário!

Hoje é meu aniversário.

Com a correria cada vez maior, e minha capacidade aparentemente inesgotável de arrumar coisas a fazer, estou muito feliz por ser um homem e não uma centopéia, pois assim só tenho 4 patas para enfiar na jaca... a quantidade de compromissos, responsabilidades, afazeres, investimentos no futuro, etc, é enorme; só é superada por minha tendência a achar que sempre conseguirei dar conta.

Nessas, não me alimento mais como devia, não descanso direito, não me exercito, não me cuido, tudo porque tem sempre algo mais urgente para ser atendido... estou sacrificando o presente para que o futuro seja melhor, mais confortável ou mais conveniente.

E por causa disso, já tinha colocado na cabeça que hoje seria apenas mais um dia normal, que deveria ser muito bem aproveitado para cuidar de algumas das muitas pendências que tenho com o mundo (mas principalmente comigo mesmo). Assim, nada de comemoração, nada especial, nada que tirasse o foco e tomasse o precioso tempo do cumprimento das atividades das muitas metas e tarefas...

Foi aí que entraram os amigos e familiares.

Ao vivo ou por e-mail, telefone ou cartões eletrônicos, muita gente fez por mim o que eu não ando fazendo: separou alguns minutos do seu (igualmente precioso) tempo para me dar atenção, me dar os parabéns, para me dizer que "Ei, cara, você é legal!". Putz, faz meses - em alguns casos, até anos! - que sempre vou dando atenção aos incêndios e às coisas urgentes, e não falo para as pessoas que elas também são legais, não deu sequer um "alô" amigo. Uma amiga, que já tinha me surpreendido dando um presente 50 dias antes do meu aniversário, ratificou os parabéns; minha mulher cuidou de mim com ainda mais atenção e paciência no dia de hoje; e por aí vai.

Parafraseando Asterix, digo que "Esses amigos são loucos!" - mas que bom que eu tenho esses amigos!!!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Reflexões pela janela do meu carro

Por motivos diversos, deixei de ir ao trabalho em pé no metrô lotado e passei a ir sentado em meu carro no trânsito congestionado.
Dia desses, em que deve ter tido algum congresso de congestionamentos na cidade - tudo parado em todos os lugares, inclusive no meu caminho - aproveitei para ouvir um bom e velho rock'n'roll no rádio e prestar atenção no mundo à minha volta.
Primeiro prestei atenção aos ciclistas: tinha um bocado de gente pedalando e chegando aos lugares muito mais depressa do que os carros encalacrados no congestionamento a perder de vista. Todos de capacete, nem todos de luvas, mas nenhum com máscaras - não por causa da gripe suína, mas sim da quantidade de partículas sólidas emitidas pelos escapamentos dos ônibus, caminhões e carros como o meu - ei, estou de vidro aberto, deixa fechar o vidro pra diminuir a quantidade que EU mesmo estou mandando para os meus pulmões! Se estivesse chovendo essas partículas seriam literalmente varridas mais rapidamente do ar, mas os ciclistas não gostariam muito de pedalar molhados - EU com certeza não gosto!
A seguir reparei nos motociclistas: são muitos, muuuuiiiitos, MUITOS, trabalhando ou indo para o trabalho. Às vezes surgem em grupos como um enxame de marimbondos nervosos, ocupando todos os mínimos espaços disponíveis, com uma agilidade e um sangue-frio de artista de circo. E como esses artistas, se houver uma falha, as conseqüências são sérias. Ser motociclista em Sampa não é fácil - nem para as motos, nem para os carros. Será que o risco vale tanto a pena?
Por fim, meus confrades motoristas: não tabulei os dados, mas parece haver uma relação diretamente proporcional entre o aumento da quantidade de veículos e do tamanho dos congestionamentos, com a perda do raciocínio e da civilidade por parte dos motoristas. Pessoas começam a ignorar as leis da boa educação e da física - "dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo" - e, para avançarem alguns metros, que logo adiante serão ultrapassados pela outra fila de carros, dão fechadas, buzinam, xingam, fingem não ver os outros... enfim, fazem o tipo de coisa que dizem aos filhos que não deve ser feito e que se revoltam quando alguém as faz com eles. Triste, triste.
E de vez em quando aparece uma ambulância tentando deseperadamente avançar, com sua sirene empurrando os carros para fora do seu caminho. Quando consigo finalmente arrumar algum espaço e dar passagem, lá vem a nuvem de motocicletas atrás da ambulância, e a seguir alguém com mais pressa ainda, aproveitando a pequena brecha que liberei e me impedindo de voltar de cima da calçada ou do meio-fio em que me enfiei para liberar a passagem...
O mais estranho é que esses problemas - congestionamentos, poluição, barbárie causada pelo stress - são causados por já haver veículos demais nas ruas, e quando as montadoras passam a vender menos é sinal de crise, com intervenção dos governos para manter as vendas elevadas, entupindo as ruas e avenidas, sujando o ar e produzindo mais desequilibrados sobre rodas.
Curioso também é eu ter refletido sobre isso DENTRO DE UM CARRO, NO MEIO DO TRÂNSITO. E isso só foi possível porque o trânsito estava parado e eu, ao invés de querer sair andando carregando meu carro e toda aquela neura junto para chegar de qualquer maneira ao meu destino, resolvi esperar que, como a vida, o trânsito voltasse a fluir conforme fosse possível.
Parafraseando um ditado, "Se não podemos controlar o vento, ajustemos as nossas velas".

domingo, 25 de janeiro de 2009

Luzes! Câmera! Ação!

Luzes! Câmera! Ação!

Aproveitando uma sugestão que recebi, e como de médico, de louco, de técnico da seleção brasileira e de crítico de cinema todo mundo tem um pouco, vou escrever sobre filmes que valem a pena.

Não sou cinéfilo nem crítico profissional, e esta avaliação será incompleta e firmemente influenciada por meu conhecimento (ou falta de), gostos, preferências e preconceitos pessoais - ei, pensando bem, qual não é?

Primeira coisa: gosto de filmes que me distraiam do dia-a-dia ou que me façam pensar. Assim, logo de cara descarto filmes de terror ou horror, dramas, dramalhões e associados: para isso, os noticiários e telejornais têm bastante notícias de catástrofes e de acidentes, e reality shows e novela é que não faltam.

Outros que dispenso são aqueles filmes de ação 100% e coerência 0% (aqueles que você tem de desligar teu cérebro para poder assistir, senão não aguenta ver até o fim, de tão ruim ou absurdo que o enredo é).

Para mim, o filme tem de ser agradável, me acrescentar algo, ou no mínimo me distrair; não gosto de chegar ao final do filme com a sensação que simplesmente peguei um atalho num buraco negro (ou worm hole, ou numa dobra espacial) que me levou duas horas para o futuro sem ter me acrescentado nada que valha a pena recordar - ou pior ainda, que tenha acrescentado algo que eu tenha de me esforçar para esquecer!

Segunda coisa: não considero nomes famosos - atuando, produzindo ou dirigindo - sinônimo de filme bom. Já fiquei decepcionado com filmes "condecorados" de medalhões, e fui agradavelmente surpreendido com desconhecidos.

Dá para classificar os filmes por vários critérios: por gênero, por época de produção, por tema, etc. Para facilitar minha vida, classifico-os em
A) diversão honesta, isto é, que valeu o preço do ingresso do cinema ou do aluguel do DVD e me deu as duas horas de distração e divertimento, e
B) filmes inesquecíveis, por causa do enredo/mensagem/inovação/etc.

Outra observação: geralmente - mas com exceções - filmes americanos são diferentes de filmes do resto do mundo: Hollywood produz filmes legais, mas usa e abusa de clichês e de exploração de fórmulas que deram certo uma vez - não significa que o filme tenha sido bom, basta que tenha dado o lucro mínimo que os produtores esperavam. São os filmes-cana-de-açúcar: a primeira vez deu caldo doce, então eles reaproveitam o bagaço outra vez, mais outra, e outra, até que não dê mais nada exceto raiva em quem teima em ir assistir...

No início dos anos 1990, acontecia uma semana de mostra de filmes internacionais em São Paulo, muito menor que a verdadeira maratona que virou de uns anos para cá. Vi muitos filmes europeus interessantes - franceses,italianos, até tcheco, que tinham em comum a ausência de nomes famosos, e dos $dólares$ e efeitos especiais hollywoodianos, e assim precisavam da atuação competente dos atores e de um roteiro bem-feito para se sustentarem.

Isso posto, vamos à MINHA lista de filmes que valem a pena ver algum dia. Eu Rrrrrrrreeeecomendoooo.

Então, vou começar com algumas indicações desses filmes vistos nos anos 90: os franceses A Glória de Meu Pai (La Gloire de Mon Père) e o Castelo de Minha Mãe (Le Château de Ma Mére); o italiano Mediterrâneo; e o tcheco Um Dia, Um Gato (em inglês, The Cassandra Cat ou When The Cat Comes, ou o título original Az prijde kocour).

Um parênteses aqui: filmes franceses são gostosos e geniais, ou simplesmente estranhos... filmes argentinos também. Dos filmes espanhóis só me lembro de ter visto alguns de Almodóvar, e encaixo-os também nessa situação.

Bangue-bangue italianos: os de Clint Eastwood são os melhores, e entre eles, Três Homens em Conflito (The Good,The Bad and The Ugly, ou no título original Il buono, il brutto, il cattivo), com o Lee Van Cleef fazendo talvez seu vilão mais perfeito, e Eli Wallach como um Tuco impagável.

Outro bangue-bangue, não-italiano mas bom pacas, é Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), com Yul Brynner, Steve McQueen, Charles Bronson, James Coburn e, ei, Elli Wallach de novo.

Fechando os bangue-bangues, de novo Clint Eastwood, com Os Imperdoáveis (Unforgiven), ao lado do quase-sempre-vilão Gene Hackman e do pau-pra-toda-obra Morgan Freeman - não, 'peraí, o pau-pra-toda-obra é o outro cara, o Samuel L. Jackson, mas o tio Freeman trabalha um bocado também...

Já que as balas estão voando, vamos a filmes de guerra: Os Doze Condenados (The Dirty Dozen), com Lee Marvin, Ernest sempre-vilão Borgnine, Charles Bronson, e mais um punhado de caras bons.

Outro de guerra que vale a pena: O Desafio das Águias (Where Eagles Dare), com Clint Eastwood, e baseado na novela homônima do escocês Alistair MacLean. Aliás, os livros do velho MacLean são boa dica para quem gosta de estórias de ação, suspense, espionagem, reviravoltas, etc. Mas só em inglês, e são textos (como os da tia Agatha Christie) com ótimas construções gramaticais e vocabulário mais sofisticado que o me-Tarzan-you-Jane que muita gente escreve; ótima opção para aprimorar os conhecimentos do idioma bretão...

OK, vamos às comédias: primeiro, para quem curte as tortas nas cara e gags físicas e visuais, tem montes de filmes mudos de Buster Keaton, Komedy Kapers, Carlitos, O Gordo e O Magro... e fimes sonoros do Gordo e do Magro, a série dos Três Patetas (TheThree Stooges), vários bons filmes de Jerry Lewis... e de seu herdeiro cômico-careteiro Jim Carrey (quem não viu O Máskara [The Mask], vá ver já!). Dos filmes menos preto-e-branco, Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu, Corra que a Polícia Vem Aí, e Loucademia de Polícia merecem ser vistos; quase tudo que veio depois é reciclagem disso - lembra da cana-de-açúcar?

Hum, Quem Vai Ficar Com Mary (There's Something About Mary) também é bom.

Quem esqueceu os filmes nonsense do grupo Monty Python? Incluam também A Família Addams 2 (Addams Family Values); A Múmia (The Mummy - 1999), com sua narrativa irreverente e as próprias personagens se divertindo com sua atuação claramente de paródia dos filmes clássicos de terror, também é diversão garantida; A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther), com Peter Sellers, é duca! Outra comédia com roteiro esmerado é Assassinato por Morte (Murder by Death), excelente sátira aos filmes de detetives que resolvem todos os mistérios.

Uma comédia divertida e pouco conhecida é A Princesa Prometida (The Princess Bride). Outra divertida, mas bem conhecida, é Homens de Preto (Men In Black). Mais uma? Comédia + artes marciais + roteiro inteligente = Zatoichi. Veja, curta, divirta-se.

Artes marciais lembram oriente, e de lá tem os filmes de Akira Kurosawa. Dersu Uzala (Derusu Uzara) é campeão. E dos filmes mais recentes com chineses literalmente subindo pelas paredes, o Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragono, ouo título original Wo hu cang long), Herói (Hero, ou o título original Ying Xiong), O Clã das Adagas Voadoras (House of Flying Daggers, ou o título original Shi mian muai fu)...

Próximo: filmes de super-heróis. Homem-Aranha 2 (Spiderman 2) traz o herói vivendo na tela os melhores momentos que teve nos quadrinhos, inclusive com um vilão (Octopus) que é mais perdido que ruim. X-Men 2 (X2), com a abertura do Noturno (Nightcrawler) fedendo enxofre e se teleportando dentro da Casa Branca, e mais tarde o Wolverine fazendo aquilo em que é melhor - com as garras desembainhadas (Snickt!) pulando em cima dos caras malvados e acabando com eles - são apenas alguns dos muitos bons momentos do filme. Superman, Batman Begins, Homem de Ferro (Iron Man), só comprovam que é possível fazer bons filmes a partir de boas idéias dos quadrinhos. V de Vingança (V for Vendetta) é outro que foi bem transposto dos quadrinhos para a tela. E Hellboy ("Oh, crap!") é pura diversão.

Ficção científica? Star Wars - Uma Nova Esperança (Star Wars - A New Hope), também conhecido como episódio IV (ou o primeiro da primeira trilogia) é indispensável. O primeiro Matriz (The Matrix) também é fundamental de se ver. Por falar nele, o menos conhecido O Décimo-Terceiro Andar (The Thirteen Floor) tem idéia parecida e é tão bom quanto, ou até melhor, com muito menos orçamento e menos efeitos especiais. Dos filmes antigos, O Dia em que Terra Parou (The Day The Earth Stood Still) e A Guerra dos Mundos (The War of The Worlds) continuam fundamentais e melhores que suas refilmagens modernas.

Já meio antigos: O Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain); A Última Esperança da Terra (The Omega Man); Planeta dos Macacos (Planet Of The Apes - o original, não a refilmagem).
Mais coisa boa: ET; 2001 - Uma Odisséia no Espaço; Blade Runner - O Caçador de Andróides; e dêem uma olhada em Minority Report. O obscuro Cidade das Sombras (Dark City) também é bom. E o primeiro Alien é assustador, mas é bom.
Hum, Os 12 Macacos (Twelve Monkeys) é outro que merece ser visto.

Meio ficção, meio aventura: O Exterminador do Futuro (Terminator) e Predador (Predator) são filmes honestos, com boas idéias e que divertem bem, onde o Schwazenegger está bem em sua pouca expressividade. Fazendo um parenteses para falar por similaridade: Sylvester Stallone fez dois bons filmes, Rocky - Um Lutador (Rocky), e Rambo - Programado para Matar (First Blood). Como deu grana, ele refilmou até esgotar a cana-de-açúcar...

Captain Sky e o Mundo do Amanhã (Sky Captain and the World of Tommorrow) não é ficção científica, mas é uma bela paródia de filmes antigos, com ótimos efeitos especiais e roteiro legal. Outro não exatamente ficção científica, mas muito bom, é O Sexto Sentido (The Sixth Sense). Bom pacas! Na mesma situação entra Os Piratas do Caribe (Pirates of the Caribbean): mucho bom. Assim como O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park). Já ia me esquecendo: Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark) e Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade).

Fantasia? O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel (The Lord Of the Rings - The Fellowship of The Ring) para mim teve o maior impacto, por dar forma ao que até então só existia na imaginação (minha e de milhões de leitores), como os Orcs em perseguição dentro de Minas Tirit, ou o duelo de Gandalf com o Balrog. Simplesmente espetacular! Stardust - O Segredo da Estrela (Stardust) também deve constar da lista dos 500 filmes para ver algum dia desses.

Nas animações/desenhos/desenhos+gente, tem um punhado de coisa boa para ver: Uma Cilada para Roger Rabbit (Who Frammed Roger Rabbit?) e Mundo Proibido (Cool World); Akira; Toy Story; Formiguinhaz (Antz); Vida de Inseto (A Bug's Life); Monstros S.A. (Monsters, Inc.); Lilo & Stitch (ótimo quando fica contrariado, enfia os pés na boca e sai rolando, ou imita Elvis...); Mulan; os pinguins aloprados de Madagascar; A Era do Gelo (The Ice Age); Robôs (Robots); A Fuga das Galinhas (Chicken Run); os vários de Wallace & Gromit (A Close Shave; The Wrong Trousers; The Curse of the Were-Rabbit); Asterix e os Vikings (Astérix et les Vikings). E os campeoníssimos Fantasia (com aquelas vassouras enfeitiçadas enchendo o poço já transbordado); Shrek; Os Incríveis (The Incredibles), Era do Gelo 2 (Ice Age: The Meltdown). E as obras-primas de Hayao Miyazaki: Totoro (Tonari no Totoro), A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi), O Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro).

Filmes brasileiros? Também temos, quer dizer, vimos: assista O Auto da Compadecida; Central do Brasil; Lisbela e o Prisioneiro; e um Antonio Fagundes nada poderoso mas muito mal-humorado no impagável Deus é Brasileiro.

OK, o que não se encaixou em nenhuma categoria?
- velharia legal: O Incrível Exército de Brancaleone (L'armatta Brancaleone);
- roteiros absurdos mas filmes divertidos: Armageddon; Sr. & Sra. Smith (Mr. & Mrs. Smith);
- espionagem, roubos e coisas assim: Uma Saída de Mestre (The Italian Job); Onze Homens e um Segredo (Ocean's Eleven); Thomas Crown - A Arte do Crime (Thomas Crown); os filmes de 007 quando Sean Connery era o James Bond, ou o filme com Daniel Craig (Casino Royale), que resgatou os bons roteiros e retirou o excesso de marmelada que tinha virado a franquia 007 [abre + um parenteses: o Casino Royale de 1967, com Peter Sellers, Ursula Andress e David Niven também é bom - fecha parenteses]; e a trilogia de Jason Bourne (A Identidade Bourne - The Bourne Idendity; O Últimato Bourne - The Bourne Ultimatum; e A Supremacia Burne - The Bourne Supremacy);
- filmes-legais-que-não-sei-como-classificar: Asas do Desejo (Der Hümmel Under Berlin); Fitzcarraldo; Uma Noite sobre a Terra (Night On Earth); Morto ao Chegar (Dead On Arrival); Expresso para o Inferno (Runaway Train); Susie e os Baker Boys (The Fabulous Baker Boys); The Commitments;
- filmes violentos pacas mas bons: os do Tarantino (Pulp Fiction, Kill Bill) e Mad Max;
- filmes policiais: Los Angeles - Cidade Proibida (LA Confidential); os filmes noir das décadas de 30 a 50, em particular dois com Humphrey Boggart: Relíquia Macabra (The Maltese Falcon) e À Beira do Abismo (The Big Sleep).

É claro que tem mais algum filme legal de que eu esqueci ou que não assisti, e mais coisa para escrever. Cada filme desses dá bastante pano pra manga. Fica para alguma próxima postagem.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Por que escrever um blog???

Shazam!
2008 já acabou, com os dias passando como a paisagem vista pela janela de um trem em alta velocidade: basta se distrair um pouco, que os detalhes mudam e logo a vista toda já é outra.

Começo 2009 respondendo a uma pergunta do meu amigo Valmir: por que fazer este blog? Por que assumir mais uma tarefa, além das outras 5459 que tenho (e que nem sempre atendo), e cuja lista cresce mais que mato depois da chuva?

Vamos por partes, como já dizia o Wolverine: a primeira e mais óbvia razão é que sou sem noção. Platão acreditava que existe um mundo das idéias, que precede a existência do mundo físico que nossos cinco sentidos (seis para as mulheres?) percebem: por exemplo, é necessário que exista a idéia de uma árvore, para que tal árvore exista de fato.
Eu passo boa parte do tempo nesse mundo das idéias, onde criar, planejar e executar acontece literalmente com a velocidade do pensamento. Quando "salto" para nosso universo quadridimensional convencional, a implementação dos projetos mentais é absurdamente retardada, tal como o ângulo e a velocidade da luz que variam ao mudar de um meio físico para outro.
Imprevistos, incidentes, detalhes que não existiam de repente se materializam, falta de consideração do universo em invadir meus tão-bem elaborados planos, etc., tudo isso contribui para que algo que deveria levar alguns minutos acabe levando dias, ou jamais sendo realizado. É muito mais fácil imaginar do que realizar algo - mas se não houver a idealização, a materialização dificilmente acontecerá.

A segunda razão é que explorar um novo meio de comunicação e compartilhar o que penso pareceu ser uma boa idéia, pois acho praticamente tudo interessante (até contabilidade tem lá sua graça...).
Dizem as filosofias e religiões espiritualistas reencarnacionistas - nas quais acredito, até que tenha melhor opção - que vivemos sucessivas vidas aqui na Terra para aprendermos, evoluirmos, e consertarmos as bobagens que já fizemos. Pois do jeito que acho este planetinha interessante, quando eu zerar minha cota de asneiras, acho que ainda vou voltar outras vezes, pois este mundo, apesar dos pesares, é cheio de maravilhas e de gente legal. Ah, e quem quiser ver uma abordagem mais científica para essa história de algo sobreviver ao fim do corpo de carne-e-osso, leia A Física da Alma, do físico indiano Amit Goswami - esse é um dos próximos 50 livros que estão na minha fila de leitura para 2009...

A terceira razão é mostrar meus arroubos (pretensamente) literários, como fazia na década passada ao imprimir as poesias e very short stories que eu produzia após algumas tempestades mentais. Isso até rendeu um livro artesanal, que 97 felizardos possuem. Desta vez resolvi democratizar o acesso a quem quiser ler essas mal-traçadas linhas...

A quarta, e creio que mais importante razão, é compensar a impossível vontade de viajar de volta no tempo e reencontrar as centenas (milhares?) de pessoas que conheci ao longo da vida: gente com quem trabalhei, com quem estudei, com quem batalhei, com quem convivi, gente que foi amiga, que me prestou bons serviços, que me ensinou coisas, que fez a diferença em pequenos detalhes ou em grandes momentos. Qual cometas com órbitas excêntricas, que ora ficam próximas e ora se afastam até sumir de vista, sei que todos têm de levar e compartilhar sua luz a outros lugares e outras pessoas, mas a saudade é movimento que não dá sossego ao peito, então para mandar meus sinais - de fumaça e de luzes - aos que ainda consigo alcançar, coloco as idéias, novidades e mensagens onde eles e elas podem ver, se assim o quiserem.

Não soou lógico o bastante para convencê-lo? Sinto muito, Sr. Spock, mas o Dr. MacCoy concordaria comigo. Enquanto isso, continuarei escrendo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Santa Preguiça, Batman!

A postagem da semana passada ficou para esta. Pela velha falta de tempo, mas também por uma boa dose de...pura preguiça.

É nisso que dá tratar a agenda como se fosse um jogo de Tetris, tentando preencher todos os espaços vazios e aproveitar cada um daqueles 1440 minutos do dia: a produtividade sobe a princípio, mas depois descamba, porque nem máquina agüenta trabalhar a 100% o tempo todo.

Humanos, então, nem pensar, mas a gente vive se esquecendo disso, e chega uma hora em que o cansaço, a inhaca, a preguiça, cobram seu preço.

Preguiça é ruim? Sempre me disseram que sim, que era até pecado. Como tudo na vida, se a gente aceita a primeira definição sem pensar a respeito, pode ser que não faça a melhor escolha. Então, resolvi pensar - pelo menos desta vez...

Preguiça é pecado ou predicado? Acho que ter preguiça é uma característica que, dependendo da opinião, do contexto e do resultado, pode ser uma qualidade ou um defeito - sem pré-conceitos. O que você faz com a preguiça, ou o que a preguiça faz com você?

Domenico de Masi, em seu livro O Ócio Criativo, defende a validade e a necessidade da pausa, do tempo dedicado ao descanso e ao cultivo das condições para o raciocínio criativo, aquele que faz a diferença no trabalho e na vida. Quem realiza trabalho intelectual, que requer processamento de informações e ponderação, sabe quão válidas são essas considerações.

Churchill fazia e recomendava uma siesta de pelo menos 15 minutos após o almoço, para recuperação física e mental. Toda tarde, tonto de sono, concordo com ele: o tempo que perco tentando ficar acordado e recuperar a capacidade de prestar atenção e raciocinar é muito maior do que os 15 ou 30 minutos de siesta que me deixariam mais disposto e produtivo.

É por isso que, quando tiver minha empresa, a siesta será obrigatória. Hum, pensando melhor, quando puder ter minha empresa, vou é fazer coisa mais interessante e uma siesta mais longa :-)
Napoleão dizia que a melhor solução para um problema é dada pelas pessoas inteligentes e preguiçosas: elas sempre buscarão a melhor solução com o menor esforço possível. Ele complementa: as pessoas ativas e inteligentes já tem suas próprias cruzadas; as burras e preguiçosas só servem para cumprir ordens e serem usadas como bucha de canhão; e as burras e ativas devem ser fuziladas, pois só causam problemas... exageros à parte, isso dá o que pensar.

E para aqueles de nós que estão 99,9% das vezes atrasados para fazer alguma coisa,repito o que Gandalf respondeu a Frodo sobre seu suposto atraso, em O Senhor dos Anéis: "Um mágico nunca está atrasado ou adiantado. Ele chega na hora exata em que pretendia chegar." Não sou mágico, mas sinto que essa justificativa serve bem para mim :-)

E é por isso que hoje eu resolvi
ir mais devagar
pra começar eu despedi
o despertador...

domingo, 23 de novembro de 2008

Já virou dezembro meu janeiro...

Este blog é uma daquelas idéias que passam tanto tempo em gestação, que já nascem velhas.
Outras, então, nunca se materializam. Assim, antes tarde do que mais tarde.

E por que isso acontece? Vontade não falta, mas tempo, ah, o tempo... parece que cada vez mais tem menos dele. O dia continua com as mesmas 24 horas (1440 minutos!) mas alguém deve estar usando as minhas, pois nunca dá para fazer nem metade do que preciso.

Já ouvi sobre a freqüência de base (ou pulsação) da Terra estar acelerada, sobre a Ressonância Schumann ter acelerado drasticamente, e criei também a minha teoriazinha: existe um buraco negro, no futuro próximo. Como buracos negros são uma concentração exagerada pacas de gravidade, a ponto de prender até a luz e distorcer o tempo, deve ter um deles logo aí na frente, virando as folhinhas do calendário e acelerando os nossos dias cada vez mais. O que vai acontecer quando chegarmos nele, eu (ainda) não sei. Quem sabe (re)aprenderemos o valor das coisas, das pessoas, e do próprio tempo. Ou então não precisaremos mais nos preocupar com isso (e talvez com mais nada).

Falando (um pouco mais) sério, temos boa parcela de culpa dessa situação em que somos reféns dos acontecimentos e ficamos aflitos com nossa incapacidade de usar nosso próprio tempo, nossas queridas 24 horas, 1440 minutos, 86400 segundos diários: nos acostumamos e nos acomodamos em receber estímulos e reagir a eles, aceitamos a correria e tudo que cai sobre nós, sem questionar, sem procurar alternativas, apenas tentando dar conta do que aparece.

Funcionamos no piloto automático, ou como disse Bertrand Russel, de forma mais elegante:
“Os grilhões do hábito são leves demais para serem percebidos, até que se tornam pesados demais para serem rompidos.”

Pior ainda: na onda da globalização e da competição cada vez mais selvagem, viramos 24 (horas) por 7 (dias por semana) por 365 (dias por ano) para o trabalho e para outras coisas urgentes... e deixamos para depois as coisas importantes mas que (ainda) não são urgentes, como o lazer, nossa espiritualização, nossos amigos, nós mesmos:

já virou dezembro meu janeiro
lá se foi outro ano inteiro
e onde estava eu enquanto isso?
Atraso, fila, serviço,
hora extra, spam, reunião,
trânsito, stress, confusão,
e ainda a tal globalização...

amores, amizades, simpatias
ficam para trás na corrida
para manter as contas em dia...
o bom humor, nalguma gaveta ficou
o sorriso se plastificou
gerente-minuto, entrega na hora
só se é importante
da boca pra fora?

Homem moderno
não aprendeu com o passado
homem eterno
ainda faz muito errado
homem de terno
deixe de ser robotizado
solte o homem interno
chega de ser calado.