quarta-feira, 10 de abril de 2013

Imprevistos e Improvisos

Ontem estava eu, mais uma vez, com a agenda cheia e acelerando o ritmo para não aumentar o atraso nas tarefas, quando o Universo me mandou mais um aviso para ir mais devagar: travou o elevador, comigo sozinho dentro a um andar de onde eu desceria.

Acionei o interfone, avisei a portaria do prédio para chamar o técnico habilitado a mexer no elevador, aproveitei que tinha sinal de celular e avisei meu próximo compromisso que eu iria me atrasar, avisei minha esposa que estava tudo bem, e aproveitei os instantes de sossego e isolamento, tão difíceis de ter em uma megalópole como Sampa: sentei-me em posição de lótus, entoei mantras e fiz meditação até que o técnico chegasse e me soltasse, mais de 20 minutos depois.

Dei sequência às atividades definitivamente atrasadas, dentro do que foi possível fazer, comigo menos acelerado, agradecido ao Universo que o aviso para que eu vá mais devagar (ou menos depressa) tenha sido um simples travamento no elevador e não algo mais sério como acontece com tanta gente. E vou me esforçar para que a lição não precise ser repetida.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Prisioneiros da Sexta-feira

Se nossa ansiedade pela sexta-feira só é menor que nossa repulsa pela segunda-feira, e se só aguentamos isso no aguardo das férias, até que chegue a aposentadoria, é sinal de que precisamos repensar como estamos vivendo e fazer algo, urgente, por nós mesmos.

Quântico

Estou me tornando quântico: cada vez mais, tenho menos certezas e mais possibilidades.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A Yoga de Jesus

Paramahansa Yogananda (1893-1952) foi um dos maiores, se não o maior, divulgador da Yoga e de sabedoria espiritual oriental no Ocidente, principalmente por seu livro Autobiografia de Um Iogue.

A Yoga de Jesus é um livro a partir de outro livro; contém excertos de The Second Coming of Christ: The Ressurrection of the Christ Within You. Nessa obra, Yogananda se propõe a analisar Jesus como um Oriental - que, por seu nascimento e pela sociedade (e localização geográfica) em que viveu, Jesus foi - e não como um Ocidental, como foi sendo adaptado pela visão da nossa sociedade Ocidental...

Mais do analisar a figura de Jesus, Yogananda analisa seus ensinamentos, com uma lucidez e bom-senso que mostram sua (Yogananda) grande estatura espiritual: sem se prender a rótulos, ele analisa o conteúdo do que Jesus trouxe, dá-lhe o devido valor, traça paralelo entre as informações das escrituras cristãs/bíblicas e as escrituras indianas, e nos lembra que a espiritualidade se eleva acima de qualquer separação de religiões.

Eis alguns trechos dessa obra pouco conhecida de Yogananda, mas digna de ser lida e ponderada:



Os salvadores do mundo não vêm alimentar divisões doutrinárias hostis, e seus ensinamentos não devem ser utilizados para esse fim. Chega a ser impróprio referir-se ao Novo Testamento como a Bíblia ‘Cristã’, pois ele não pertence exclusivamente a nenhuma seita.

A verdade destina-se a promover a benção e a elevação espiritual de toda a raça humana. Assim como a Consciência Crística é universal, Jesus Cristo também pertence a todos.


*      *      *

_ O senhor crê na divindade do Cristo? – perguntou um visitante.
Paramahansa Yogananda respondeu:
_ Sim. Gosto de falar dele porque foi um homem de perfeita Autorrealização. Entretanto, ele não foi o único filho de Deus, nem afirmou que o fosse. Em vez disso, ensinou claramente que aqueles que cumprem a vontade do Senhor tornam-se, como ele, um com Deus. Acaso não foi a missão de Jesus na Terra lembrar aos homens que Deus é o Pai Celestial de todos e mostrar o caminho de volta a Ele?
Assim Falava Paramahansa Yogananda
 

*      *      *
Jesus foi precedido por Gautama Buda, o “Iluminado”, cuja encarnação relembrou a uma geração negligente o Dharma Chakra ou a roda do karma em constante rotação – ações iniciadas pela própria pessoa e os efeitos dessas ações, que fazem com que cada homem, e não um Ditador Cósmico, seja responsável por suas condições atuais. Buda trouxe vida nova a uma teologia árida e a rituais mecânicos – a que decaíra a antiga religião védica da Índia ao findar uma idade superior em que Bhagavan Krishna, o mais amado de seus avatares, pregara o caminho do amor a Deus e da realização divina por meio da suprema ciência espiritual da yoga, união com Deus.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tempo (de novo - ou ainda)

Divagações de uma segunda-feira (04/fevereiro/2013) à tarde, no meio de um retiro espiritual:

Meia hora para ficar na mata, em silêncio. Meia hora inteirinha sem obrigação de fazer nada, nem pensar - ou talvez pensar já seja uma grande coisa, algo raro numa sociedade que exige cada vez mais velocidade e onde o raciocínio é opcional ou até indesejado.

A mata fechada tem pouca luz e está toda úmida por causa das fortes chuvas diárias.

Aqui, só o barulho do vento, de uma moça comendo maçã, do pássaro eventual ou de um carro, mais eventual ainda, passando pela estradinha próxima. Tarde de segunda-feira para fazer o que quiser, em silêncio, no meio da mata; quem tem meia hora livre, na grande cidade com suas muitas obrigações, e nas empresas?

Neste solo úmido e abençoado com sol e vento - e uma temperatura nem congelante nem escaldante -, a vida brota em todos os cantos, sem preocupação com relógio, mas sempre no tempo certo. Nós, seres humanos, perdemos essa conexão visceral com o tempo, quando passamos a medi-lo e assim querer controla-lo, ao invés de fluir com ele no ritmo da Natureza.

No ritmo artificial que criamos, nós nos desconectamos da Natureza e nos perdemos de nós mesmos; adoecemos e não admitimos nossa auto-enfermidade, e buscamos alívio nos aprofundando mais nas criações do nosso ritmo artificial. 

Evoluir sem devastar, criar sem estagnar; desafios para cada um e para a sociedade.

Ah, o tempo! Dizem que só temos o presente, pois o passado é lembrança e o futuro ainda não aconteceu. Mas o presente é efêmero e escorregadio, sempre se desfazendo ante nossos olhos e escapando entre pelos dedos, instantaneamente virando lembrança e se tornando passado, na mesma velocidade com que o futuro vira o agora e já passa para o passado... 

Assim, atuamos sobre o passado, em cima de nossas projeções para o futuro.

O presente é tudo que temos, mas só o conseguimos utilizar como ligação entre o que já foi e o que está por vir. No grande oceano do tempo, sua correnteza nos leva sempre, e só com nossa mente, associada às emoções, é que temos a autonomia para voltar ou avançar.

Como passageiros da astronave Terra, ela nos leva em SEU caminho pelo espaço; e como criaturas no mar infinito temporal, seguimos aonde suas ondas nos impulsionam. Que grande ilusão a nossa de querermos controlar alguma coisa!

E para que controlar? Para, no suposto poder conquistado, termos a "segurança" de estarmos protegidos de outros como nós, que também têm seus medos, e a quem buscamos apequenar, para nos sentirmos maiores e assim a salvo? Controlar a todos, ao mundo inteiro, para assim nada temer? Não seria mais fácil nos entregarmos, abrir mão de qualquer ideia de controle, e sermos integrados ao Todo, e assim não precisar temê-lo?

Ah, mas isso demanda uma confrontação ainda maior do que enfrentar o mundo todo; isso requer que olhemos para nós mesmos, inclusive aquelas partes que procuramos esconder ou fingir que não existem, e nos reconhecermos, aceitarmos e assim, conscientes, evoluirmos, cada um respeitando a si mesmo, e aos outros como extensões de si mesmo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Caminhos

Outro texto meu resgatado da bagulhoteca, rascunhado em 06/janeiro/1999!

Sendo meio máquina, meio predador
mal entendo a sua dor
e com a minha já me acostumei;
as coisas que eu sei,
para mim são automáticas,
para você, talvez, traumáticas.
Juntos, podemos ser menos que um
por pouco termos em comum
além da distância que nos separa.
Por que, então, ela nos abala?
Sigo minha órbita quântica irregular
e você, sua ordenada maré lunar,
mas tais caminhos parecem conspirar
em tornar nossas diferenças complementos
que nos unem por momentos
efêmeros no tempo real,
eternos no campo emocional,
benesses preciosas a cada um de nós
a nos aquecer e animar
por nos ensinar
que por maior que seja o vazio
juntos ali já estivemos
e por lá ainda andaremos
e assim nunca estaremos
realmente isolados e sós.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Fahrenheit 451


Fahrenheit 451 é a temperatura em que o papel pega fogo, na estória em um futuro indeterminado em que possuir livros ou, pior ainda, ler livros, é crime gravíssimo, se bem que a maioria da população se entregou às pilulas de prazer imediato e às atividades fúteis e superficiais...

Publicado em 1953, esse livro de Ray Bradbury tornou-se um dos clássicos de ficção científica e que, como toda boa estória de ficção científica, usa uma ambientação "científica" de outro tempo/lugar, para fazer críticas e contestações do mundo real.

Assim como Admirável Mundo Novo e 1984, é uma distopia, onde um futuro sombrio e opressor pesa sobre quem ouse ser diferente do que a ditadura da maioria (mesmo que inconsciente) determina.

Considero essa obra precursora de outras histórias de distopia mais recentes, que vimos nos cinemas: Exterminador do Futuro e Matrix - onde ao invés do homem oprimir o homem, são as máquinas, criadas pelo homem e que fogem ao seu controle, que fazem a opressão.

Também como quase meio século mais tarde vamos ver Neo fazer em Matrix, vemos Montag, o personagem principal, começar a despertar de seu torpor mental ao ver, com o auxílio de sua jovem vizinha Clarisse, coisas a que jamais dera atenção, e assim o mundo, e seu papel nele, começa a ter outras cores e significados.

Isso o fascina e assusta. Do mesmo modo como Neo tem de optar entre a pílula azul e a vermelha - despertar de vez ou voltar a dormir - Montag se vê entre o questionamento sobre seu trabalho de bombeiro, que nessa época é responsável por atear fogo nos livros das pessoas, ou voltar à vida vazia com sua esposa alienada e os demais que abdicaram de preocupar-se (e de pensar), acatando o socialmente aceito e os divertimentos superficiais.

Na estória, as pessoas entram nas casas dos outros, através das televisões gigantes que cobrem todas as paredes e ali falam sem parar, se expondo a todos e não ouvindo o que os outros falam; seria um pré-Facebook ou pré-Twitter?

Montag, sem conseguir aguentar essa situação e confrontado por seu superior, o surpreendentemente culto (já que LIA os livros que queimava!) e cínico capitão Beatty, toma uma atitude extrema e impensável numa sociedade de zumbis mentais, provocando uma série de acontecimentos que afetarão definitivamente sua vida.

Apesar do tom pessimista, a história caminha para um desfecho de alguma esperança. Como todo texto de Bradbury, é menos científico e mais filosófico, poético até, e estranho, ao mesmo tempo e em quantidades diferentes. Traz crítica, faz pensar, e vale a pena ser lido, conhecido e discutido.

Minha única dúvida: ninguém nunca pensou em traduzir/converter Fahrenheit 451 para Celsius 233?