sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ser

A existência é uma sucessão de etapas, desde a Inconsciência até a Plena Consciência.

A percepção de si mesmo, do ambiente ao seu redor, e das variadas interações com esse ambiente e com os outros seres - semelhantes a si, mas ao mesmo tempo diferentes de si - vai enriquecendo o repositório de informações emocionais e intelectuais do Ser.

À medida que o Ser aprende a a relacionar essas informações e a projetar novas informações a partir das que já tem - ou seja, a fazer extrapolações - acelera seu passo na senda evolutiva.

As experiências lhe mostram que cada acontecimento, fato ou conhecimento, tem no mínimo dois aspectos, conforme a atenção e o uso que se lhes dê.

Começa a vislumbrar que algo não é intrinsicamente mau ou bom; apenas É. A percepção e o uso desse fato/acontecimento/conhecimento é que será mau ou bom, ao ir contra - ou não - as leis que regem o Universo e que independem da vontade do Ser.

Também aprende que, quanto mais se afasta de si mesmo e de considerar-se o centro de tudo, mais se expande, mais se liga ao restante do Universo, e acaba retornando e estando mais presente e mais lúcido em si mesmo: um paradoxo para o pensamento linear, uma naturalidade para o pensamento cíclico - que se sintonizou com o funcionamento do Universo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ora (direis) ouvir estrelas!

Evento no tempo: Astrológica 2011, de 15 a 17/julho/2011. Um punhado de astrólogos bons pacas, fazendo palestras para outros astrólogos, estudantes e simpatizantes.

Parafraseando um dos palestrantes, eu e meus amigos de curso de Astrologia cruzamos nosso próprio Rubicão, ainda estudando mas já fazendo nossos primeiros atendimentos, com interpretações e previsões honestas e esforçadas... e aí temos a oportunidade de ver o pessoal com 10, 20, 30, 40 anos de estrada, falando de Astrologia com Cabalá, com Feng Shui, Kármica, Horária, aprofundando e explorando aspectos e características dos planetas, coaching, eclipses, aplicações...

Confesso que me senti como um mágico amador, todo alegre por fazer o truque de tirar a moeda da orelha do sujeito, e que de repente vê os mágicos experientes cortando a mulher ao meio (e depois montando-a de novo, claro!), levitando, fazendo coisas e pessoas desaparecerem.

Com tanta opção e oportunidade de estudo e atuação, o astrólogo que anseia por saber tudo pode ficar apavorado ("Como tem coisa pra aprender!") enquanto que o que gosta do desafio e do aprendizado pode ficar entusiasmado ("Como tem coisa pra aprender!").

E ao terminar o evento, me dei conta, com a poesia presente em praticamente cada palestra - às vezes explicitamente nos poemas trazidos, às vezes implicitamente nas estórias, casos e estímulos apresentados - que, se os astrólogos lêem os astros, os poetas ouvem as estrelas. Assim, não é de estranhar que haja tamanha proximidade entre Astrologia e Poesia, como já mostrou há tanto tempo Olavo Bilac, no poema Via Láctea:


Via Láctea


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Olavo Bilac

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ladrões de Tempo

Metade do ano já passou; bom momento para reflexão - antes que a outra metade acabe!

O tempo é uma coisa interessante: todo mundo tem alguma noção do que seja, mas ninguém tem uma definição universal para ele, muito menos uma compreensão que justifique por que o tempo do relógio é tão diferente do tempo quando se está numa situação ruim/chata ou em algo agradável.

Já vi definições de "tempo físico" - aquele que compõe o universo quadridimensional (comprimento, largura, altura, e tempo), marcado pelo relógio e que "passa à velocidade de 60 minutos por hora" (como disse uma personagem de José Saramago) - e de "tempo psicológico", ou de quinta dimensão, que é o que nossa percepção encurta ou alonga, dependendo da situação e de onde estava nosso pensamento e nossa atenção. E continuei na mesma falta de compreensão...

Mas acabei fazendo uma analogia entre o tempo e os talentos da parábola onde três servos receberam, cada um, um talento (moeda) de seu senhor exigente, para cuidarem desse talento durante a ausência do senhor.

O primeiro servo investiu bem e transformou seu talento em cinco; o segundo teve mais dificuldades, mas se estorçou e conseguiu ter dois talentos; e o terceiro, com medo de perder o único talento e ser punido pelo amo, enterrou seu talento e deixou-o escondido.

No retorno do amo, foram os três servos prestar contas do que tinham feito com os talentos recebidos.

Os dois primeiros, que conseguiram multiplicar os talentos, foram reconhecidos e recompensados; o que teve medo, escondendo o talento e devolvendo-o ao amo do mesmo jeito que o recebera, foi punido por sua falta de iniciativa.

Na questão do tempo, todos nós somos os servos, a vida é o amo, e as 24 horas que temos por dia são os nossos talentos. Tem gente que consegue fazer uma grande quantidade de atividades ou de realizações, outros nem tanto, e tem gente que vê as 24 horas passarem sem lograr realizar algo, ficando angustiadas, ansiosas, revoltadas, e por aí vai...

Qual a solução? Usar nosso talento (capacidade) próprio para enfrentar as tarefas e incidentes cotidianos e tirar o máximo de proveito (positivo) e de realização desse talento (24 horas) que todos recebemos igualmente.

E para isso, uma das coisas que precisamos fazer é mudar a forma como permitimos que grandes Ladrões de Tempo nos espoliem:
- Reuniões inúteis ou improdutivas: que tal pararmos de comparecer a reuniões que sabemos que serão pouco (ou nada) produtivas? Se não for possível evitar a todas, façamos nossa preparação para que tal reunião seja produtiva ou útil - nem que seja apenas para nós mesmos;
- Filas: um planejamento prévio nos ajuda a evitar uma porção de filas - pagamentos eletrônicos agendados, escolha de melhor horário para ir a lojas, bancos e supermercados, etc. Se a fila for inevitável, um livro ou revista, smartphone ou mp3 player, são bons recursos para ajudar a aliviar a tensão. Os mais disciplinados podem até levar trabalho para adiantar enquanto estão na fila...
- Congestionamentos no trânsito: planeje rota e horário. Se for inevitável, vale a dica acima, sobre música e leitura.
E ter lanche e água no carro - e ter passado no banheiro, antes de pegar o carro/ônibus, também é fundamental para reduzir o desconforto e o stress;
- Pessoas carentes e sugadoras de energia: OK, seja civilizado, bom samaritano, etc e tal, mas tenha bom senso, e estabeleça limites! Senão, teu tempo e energia serão consumidos, e o carente inconsciente continuará igualzinho, pronto para continuar vampirizando você e os outros.

Em resumo: esteja presente, seja consciente, posicione-se, e tenha coragem de tentar mudar o que não está legal.

Está na Hora de Urano!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Astrólogo não é adivinho. Ou é?

Depois de muitos anos como ignorante e preconceituoso descrente da Astrologia, passei a estudante sério e fui virando astrólogo, fazendo e lendo mapas natais com o mesmo encantamento com que via as imagens se formarem no papel fotográfico, no processo de revelação dentro da sala escura, nos meus tempos iniciais de fotógrafo.

Uma das primeiras coisas que meu professor de astrologia ensinou é que "astrólogo não é adivinho", porque nós, leitores e interpretadores daquelas "luzinhas" que caminham pelo céu, trabalhamos sobre o conhecimento legado por séculos e séculos (milênios, na verdade) de
estudos, observações e análises.

Assim, Astrologia é ciência, e não oráculo (adivinhação).

Mas, na minha condição de Bruxo Junior - ou Astrólogo Iniciante - foram várias as vezes em que falei coisas a meus clientes, que extrapolavam a mera configuração do céu natal, ou onde os planetas estavam estacionados.

E imediatamente eu suava frio, pensava "Ih! Falei bobagem!", e me preparava para a contestação do cliente... e era surpreendido pela confirmação do que a princípio achei que fora um disparate impensado da minha parte.

Intuição, percepção extra-sensorial (ainda se usa esse termo?), sei lá qual é o nome correto a aplicar; o fato é que o astrólogo é, sim, também um adivinho, no sentido que, sobre o conhecimento técnico e correto que adquire com estudo sério, ele pode - e deve - enriquecer a leitura do mapa do cliente com seus insights. Caso contrário, seria suficiente fazer um programa de computador bom em fazer a interpretação e previsão apenas com os dados técnicos do mapa.

Assim, como em qualquer profissão, o bom astrólogo faz a diferença quando, sobre a excelência técnica da sua profissão, mantém a ética e acrescenta seu quinhão de humanidade (sensibilidade, percepção, empatia, etc) e assim cumpre sua função (missão?) de auxiliar outro ser humano a se enxergar melhor e começar a se compreender melhor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Hora de Urano

Profissional ou Mercenário?

Atire a primeira planilha quem nunca passou por isso, no mundo corporativo cada vez mais globalizado e competitivo: para cumprir sua função e as normas da empresa, deixou de atender aquele cliente legal, mas que não tem mais contrato para ser atendido, e teve de atender aquele outro cliente chaaaato à beça, mas que está com o contrato ($$$) em dia... e assim chegou ao final da tarde (ou mais provavelmente ao início da noite) cheio de angústia e insatisfação, e também uma sensação de dever cumprido, porém vazio.

Esse sujeito (não tão) hipotético foi profissional, ao cumprir as determinações com que se comprometeu quando aceitou o contrato e os termos de trabalho, ou foi somente mercenário, ao fazer o que foi pedido em troca do dinheiro que receberá?

É natural que cada um procure receber o melhor possível por seu trabalho. Mas até que ponto devemos - ou podemos - nos transformar em meros agentes mecânicos, "paus-mandados", por termos um contrato que nos compromete a obedecer normas, ordens e regras que nos deixam desconfortáveis e insatisfeitos?

A estrutura hierárquica, remanescente do militarismo dos séculos passados parece anacrônica, mas ainda é, neste início da segunda década do século XXI, muito utilizada nas empresas, o que leva a distorções da corporação - "se o cliente pagou, faça!" - ou dos gestores - "estou mandando, faça!". E por medo, necessidade ou qualquer outro motivo, muita gente não gosta, mas engole os sapos, suporta tal situação, e segue fazendo.

Em bom astrologuês, eu diria que está na Hora de Urano: se libertar, chutar o balde, romper as amarras, se livrar do que não faz mais sentido.

Quem vai ser o primeiro?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Alma Gêmea e Alma Complementar

Josh chegou em casa cansado pela batalha profissional diária na megacorporação, pelo trânsito alucinado, comida sintética com gosto de plástico reciclado - qualquer que seja o sabor-fantasia que você escolha - e todos os demais "confortos" da vida naquela segunda metade do século XXI, que estendia a vida das pessoas mas lhes tirava a qualidade...

Ah, mas em casa ele tinha sua Alma Gêmea, que o recebeu com a voz maviosa e melíflua que fazia sua tensão começar a diminuir, lhe dava as últimas notícias esportivas enquanto lhe lembrava o quanto ele era especial porém incompreendido e menos ainda reconhecido, lhe entregava sua cerveja favorita, estupidamente gelada, e começava a massagear seus ombros e costas, com suas mãos suaves, firmes e cálidas...

Sua Alma Gêmea - nome completo: TwinSoul 4.1 Turbo Plus - era o modelo mais popular de IA (Inteligência Artificial), com um repertório amplo e certeiro de expressões e assuntos, baseado no perfil psicológico do cliente, para agradar a 95% da clientela de solteiros, solteirões, solitários, separados, divorciados, viúvos, estressados, alucinados e desajustados de modo geral; só os esquizofrênicos ainda davam algum trabalho, mas em uma ou duas novas versões da IA, isso também seria corrigido...

TwinSoul tinha uma série de acessórios e periféricos muito úteis, entre os quais estavam mãos robóticas perfeitamente articuladas, recobertas de um polímero semelhante a silicone e aquecidas a 36,5º C, reproduzindo com fidelidade a sensação de mãos humanas... muito útil para massagens, cafunés e outros agrados.

TwinSoul era perfeita, misto de mãezona, companheira (submissa), parceira, governanta, etc, tinha também sua versão masculina: paizão, companheiro (banana), parceiro, tutor, etc, perfeitamente customizável para o gosto do cliente.

Nessa sociedade dominada pelas grandes corporações e extremamente competitiva, era a solução adequada, pelo preço certo, para atender o antigo sonho, talvez do inconsciente coletivo, da alma gêmea: aquele ser perfeito, o par ideal, que quando pensamos que encontramos sempre teima em desaparecer com o passar do tempo, transformando o príncipe encantado novamente no sapo...

Esse microconto "brotou" na minha cabeça porque lembrei que, dia desses, uma conhecida reclamou que ia ficar para titia, pois já passara dos 40 e não encontrava sua alma gêmea.

Fiquei pensando a respeito, e reparei que existe esse mito de que todos possuem - e precisam - encontrar sua "alma gêmea", o que quer isso signifique. Geralmente as pessoas idealizam essa figura irreal como sendo aquela pessoa que vai compreendê-las, apoiá-las, amá-las, fazer tudo por elas, sempre com um sorriso nos lábios e sem esperar nada em troca. Para mim, isso está mais para escravo sem vontade - ou robô bem programado, como no conto acima - do que para um ser humano de verdade.

Continuando a matutar, conclui que vi raríssimos casos desses, em que as duas pessoas realmente se dão tão bem assim, e geralmente isso acontece porque elas têm algum compromisso - família, trabalho, missão - que exige tanto delas, que elas não tem tempo a gastar com os desacertos e complicações que a maioria de nós enfrenta.

O mais comum é duas pessoas terem alguma coisa em comum, e muuuuuuuiiiiitas diferenças. São o que eu chamo de Almas Complementares; uma é boa em algumas coisas, outra é boa em outras coisas. Quando sincronizam seus pontos fortes, conseguem fazer quase qualquer coisa.
O problema é que ambas se acham certas, e querem que a outra se comporte, aja, pense, etc, do seu jeito... aí, saí faísca, confronto, ressentimento, pancadaria, a coisa fica feia, explode, depois melhora, volta a piorar... tudo isso porque poucas pessoas percebem que justamente as diferenças entre ela e sua Alma Complementar devem ser aproveitadas, e não confrontadas; o que uma tem de bom, complementa o que a outra tem de bom, e as duas tem de chegar a um acordo, cedendo e ajustando, aprendendo uma com a outra.
Quando conseguem fazer isso - conviver e crescer com as suas diferenças - aí, então, elas começam o processo que as levará, algum dia e não sei quantas vidas adiante, a serem Almas Gêmeas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Banho de Cachorro

Dia desses, estava eu correndo pelas ruas próximas do bairro, quando vi um sujeito dando banho no cachorro, que estava preso por uma corrente.

Era mais um dia de calor, e pelo aspecto do cachorro, fazia tempo que ele precisava do banho.

Mas o cachorro não sabia nada disso; para ele, era um suplício, que suportava apenas por estar preso pelo pescoço e quem estar ministrando o banho ser seu dono. Com uma cara infeliz, não conseguia entender por que seu amo, senhor, amigo e razão da sua vida, o tratava daquela maneira...

Muitas vezes, somos como aquele cachorro: não entendemos por que estamos "tomando um banho", porque sofremos algo, que a princípio não faz sentido nem parece justo para nós, mas que é necessário, é uma limpeza ou mesmo um "refresco" que a vida nos aplica e porque precisamos e não porque queremos.

Resta esperar que, ao longo do tempo, ao contrário do cachorro, nós possamos entender o porquê de algumas coisas nos acontecerem e dessa forma não termos (tanta) revolta e não nos considerarmos injustiçados.