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domingo, 25 de janeiro de 2015

Os passeios do Luka: diálogos



Au!

Num dos últimos passeios em que levei meu humano para a rua, repetiu-se um acontecimento frequente: outros humanos que, normalmente, no máximo soltam um “Bom dia” quase inaudível – para os humanos, porque nós, cães, escutamos muito bem – se aproximam, atraídos pela minha presença, sorriem, conversam comigo, e a princípio para não ficar mal, e depois porque recuperam um pouco do seu traço social, conversam também com meu humano.

Os humanos andam cada vez mais ausentes de espírito, preocupados, sisudos, perdidos em pensamentos ou nas telas dos seus pequenos aparelhos sempre presentes, e cada vez mais eles se esquecem de que também são animais sociais.

Felizmente existo eu e meus irmãos caninos, para ajudar a reconectar esses bípedes pelados com um pouco da sua essência social; é irresistível ver um cachorro simpático e não sorrir ou puxar conversa, ficar indiferente.

Meus amigos gatos podem ser campeões de vídeos fofinhos no FaceBook, mas cachorros são imbatíveis para um bom diálogo em carne e osso.


Au!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Os passeios do Luka: fogos, bah!



Au!

Nesse primeiro dia do novo ano, em meu passeio matinal as ruas estavam desertas. Só um ou outro humano surgia, de vez em quando, para provar que a cidade não fora evacuada durante a noite, após aquela barulheira infernal dos fogos.

Fogos, bah! Se esses humanos tivessem metade da capacidade auditiva que os cães têm, não estourariam essas coisas, nem ficariam festejando com o som tão alto que parece que não é o ano que está acabando, é o mundo!

Meus irmãos caninos ficam tão assustados, que o trauma é inevitável. Seus humanos, que realmente se importam com eles, ainda não conseguiram convencer os outros humanos sobre a necessidade da moderação.

Aliás, pelas discussões que dava para ouvir entre os alcoolizados ou os que queriam continuar a festança barulhenta madrugada a dentro, e os que pedem o respeito às leis e ao bom senso para poderem descansar, fico me perguntando como esses bípedes pelados querem que o Ano Novo seja realmente de paz, amor e coisas boas, se logo no primeiro instante já estão fora de si, querendo apenas o que julgam ser seus "direitos" e sem respeitar os dos outros humanos, que dizer então dos direitos dos animais?

E depois o irracional sou eu...

Au!

domingo, 28 de dezembro de 2014

Os passeios do Luka: três perguntinhas...

Au!



Os humanos que vivem comigo me chamam de Luka e dizem que sou um Yorkshire de 10 anos; pelo meu visual, cheiro e personalidade inconfundíveis, eu sei quem sou, mas esses humanos parece que precisam de cada vez mais rótulos para tentarem identificar e entender algo.

Minha matilha é meio diferente, parece o tal Exército de Brancaleone: tem dois humanos (Claudinei e Patrícia, que também se chamam de Cao e Pat - mais rótulos confusos!) e quatro gatos (Nick, Kevin, Kate e Nicoleta)... qualquer dia desses conto alguma coisa deles.

Saio duas vezes por dia para levar algum dos meus humanos para passear (às vezes vão os dois; dá mais trabalho para cuidar, mas eles ficam felizes de estar junto comigo). Enquanto reforço a minha marcação de território, aprecio o mundo e filosofo um pouco, espero que esses bípedes aprendam algo com o passeio educativo. Mas geralmente eles são meio devagar para perceber as coisas - como todos os humanos.

Hoje, por exemplo, estava um calor de rachar mamona e eu conduzia meu humano pelo lado da calçada que tinha uma sombra protetora, quando uma humana jovem passou por nós no meio da rua, no sol, ladeira acima, arrastando os pés na tentativa de correr, só Anúbis sabe por que.

Com ossos grandes, pernas grossas e quadril largo, aquela bípede não tem nem desenho nem construção adequados para correr. Como ela não estava em risco de virar comida, nem correndo atrás da refeição que a manteria viva, por que então estava fazendo aquele despropósito consigo mesma?

Já ouvi os humanos falarem um monte de coisa para justificar esse tipo de atitude: que é pela saúde, pelo esporte,  para entrar em forma, pela superação, para socializar, e por aí vai. Ao invés de discutir e derrubar cada uma dessas pálidas desculpas, dou a eles apenas três perguntinhas para responderem, nessa ordem, antes de começar qualquer coisa:
_Eu preciso?
_Eu posso?
_Eu quero?

Isso implica, entre outras coisas, em prestar atenção ao que é desejo (estímulo externo) e vontade (impulso interno), e ao custo/benefício (o que tenho de dar ou suportar para realizar ou ter aquilo que quero); saber o que realmente é adequado a si e o que é viável. E aceitar e lidar com isso.

Pelas respostas - ou ausência delas - fico me perguntando quem é o irracional, afinal de contas.

Aproveite para pensar, mas não demore, pois no próximo passeio posso trazer alguma coisa nova para compartilhar.

Au!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Banho de Cachorro

Dia desses, estava eu correndo pelas ruas próximas do bairro, quando vi um sujeito dando banho no cachorro, que estava preso por uma corrente.

Era mais um dia de calor, e pelo aspecto do cachorro, fazia tempo que ele precisava do banho.

Mas o cachorro não sabia nada disso; para ele, era um suplício, que suportava apenas por estar preso pelo pescoço e quem estar ministrando o banho ser seu dono. Com uma cara infeliz, não conseguia entender por que seu amo, senhor, amigo e razão da sua vida, o tratava daquela maneira...

Muitas vezes, somos como aquele cachorro: não entendemos por que estamos "tomando um banho", porque sofremos algo, que a princípio não faz sentido nem parece justo para nós, mas que é necessário, é uma limpeza ou mesmo um "refresco" que a vida nos aplica e porque precisamos e não porque queremos.

Resta esperar que, ao longo do tempo, ao contrário do cachorro, nós possamos entender o porquê de algumas coisas nos acontecerem e dessa forma não termos (tanta) revolta e não nos considerarmos injustiçados.